A deputada independente australiana Helen Haines estava em estado crítico na segunda-feira, após ser atingida deliberadamente por um carro em frente ao seu escritório na cidade rural de Wangaratta, e um homem de 43 anos foi preso no local.1,7
Haines, de 65 anos, foi transportada de helicóptero para um hospital, informaram a polícia e o primeiro-ministro Anthony Albanese. Albanese disse a uma coletiva de imprensa que uma força-tarefa antiterrorismo investigará o ataque, que, segundo ele, está em fase inicial. A violência política é rara na Austrália, e o incidente provocou preocupação imediata em todo o espectro político.1,7
O superintendente interino Ashley Mason, da Polícia de Victoria (Victoria Police), afirmou que Haines foi atingida por um Toyota Land Cruiser branco quando o veículo trafegava pela Murphy Street, onde fica seu escritório. Mason disse que transeuntes detiveram o motorista e que uma faca foi encontrada dentro do veículo. A Reuters situou Wangaratta a cerca de três horas de carro a nordeste de Melbourne, enquanto a France 24 disse que a distância era de pouco mais de 200 quilômetros.1,7
Segundo a France 24, a polícia acusou o motorista de dirigir de forma perigosa causando lesão grave e de causar intencionalmente lesão grave. A Polícia de Victoria também citou o crime federal de agressão a funcionário público, informou a France 24. O relato da Al Jazeera listou as duas primeiras acusações. A France 24 disse que veículos de imprensa locais identificaram o motorista como Brendan Nugent, que permanece sob custódia e comparecerá ao tribunal na quarta-feira.7,4
A Australian Broadcasting Corporation (Corporação Australiana de Radiodifusão) e o Sydney Morning Herald informaram que Haines perdeu uma perna, segundo a France 24, e a Al Jazeera também relatou a perda. Haines foi operada durante a noite no hospital Alfred, em Melbourne. Albanese disse que havia conversado com o marido dela, Phil, e que ela continuava em estado crítico.7,4,6
Albanese disse que ainda é cedo para determinar o motivo. Ele afirmou ao programa Sunrise que Haines estava internada em estado crítico. Testemunhas disseram à ABC que ouviram um estrondo e viram uma mulher presa entre dois carros, e Albanese afirmou que Haines estava retirando itens do porta-malas de seu carro quando o ataque ocorreu. Ele disse que o motorista passou por ela, fez um retorno e voltou. "Está claro que este foi um ato deliberado", disse Albanese. A polícia afirmou que o ataque foi "direcionado".7,6,3,8,2
Albanese também abordou o tom do debate público. "A preocupação é que, se você olhar o feed de redes sociais de qualquer pessoa e ler os comentários, as pessoas dizem coisas que nunca diriam cara a cara", declarou. "Mas a temperatura certamente aumentou. Não apenas aqui na Austrália, é claro." Albanese acrescentou que não quer um sistema político em que políticos não possam conversar com as pessoas em público. A polícia disse não ter detalhes de quaisquer vínculos com redes sociais ou ameaças neste caso.1
A líder da oposição, Angus Taylor, descreveu o ataque como um "dia chocante" para a Austrália. "Nossa nação não pode se tornar um lugar em que ataques violentos sejam normalizados", disse ele. A senadora de extrema direita Pauline Hanson afirmou: "violência contra qualquer representante eleito, seja quem for e defenda o que defender, nunca é aceitável na Austrália."1,7
Mason disse aos repórteres que não há nenhuma ameaça adicional ao público e que a polícia trata o incidente como isolado. O ministro do Interior, Tony Burke, afirmou que as condutas ameaçadoras ou de assédio contra parlamentares na Austrália subiram para 1.067 casos no último ano, ante 951 anteriormente.1
Uma pesquisa divulgada em fevereiro pela União Interparlamentar (Inter-Parliamentary Union), que reúne 183 parlamentos nacionais, constatou que 71% dos entrevistados já sofreram violência por parte do público, especialmente on-line. Na Grã-Bretanha (Britain), dois parlamentares em exercício foram mortos desde 2016. Neste mês, o ministro do Interior britânico anunciou uma revisão urgente das medidas de segurança para figuras de destaque, após o assassinato de um ex-ministro em julho, que os promotores afirmam ter motivação ideológica. Os Estados Unidos (United States) também registraram tentativas de assassinato contra o presidente Donald Trump.1
Haines trabalhou como enfermeira e parteira e como acadêmica antes de ser eleita para o parlamento como independente em 2019, pela cadeira de Indi. Seu site diz que ela se opôs a propostas como tornar as doações políticas aos principais partidos mais sigilosas e proibir celulares em centros de detenção de imigrantes. A France 24 informou que ela é conhecida por apoiar medidas climáticas mais fortes.1,7
Um comunicado da família de Haines afirmou: "Esta tarde, nossa querida Helen se envolveu em um incidente em frente ao escritório eleitoral de Wangaratta e está recebendo atendimento médico." A família agradeceu "a rápida ajuda dos transeuntes e dos profissionais de saúde dedicados que a atenderam, bem como à polícia pela resposta". O barbeiro local Ricky Jefferies, que conteve o motorista, disse: "Minha família é tudo para mim, e minha comunidade vem logo depois." Os pais do suposto motorista afirmaram em comunicado, divulgado pelo The Age e citado pela France 24, que Haines era "nossa amiga há mais de 20 anos".7,1
O motorista deve comparecer ao tribunal na quarta-feira, e a investigação, que envolve a polícia federal australiana (Australian Federal Police), oficiais de antiterrorismo e a polícia do estado de Victoria, prossegue. O motivo do suposto agressor ainda não foi estabelecido. Albanese disse sobre Haines: "Todos os nossos pensamentos estão com Helen, sua família, seus amigos, sua equipe e sua comunidade neste momento extremamente difícil. Estamos rezando por sua recuperação completa."7,1,4