O secretário de Defesa Pete Hegseth afastou o tenente-general do Exército Brett Sylvia do cargo de chefe de estratégia, planos e política do Estado-Maior Conjunto nesta semana, confirmaram várias fontes na noite de quarta-feira.1,7,8
A divergência essencial é o motivo do afastamento. A CBS News noticiou, citando uma autoridade do Pentágono que falou sob condição de anonimato, que Sylvia foi acusado de má conduta por supostamente vazar informações classificadas relacionadas à guerra do Irã e à guerra entre a Rússia (Russia) e a Ucrânia. A autoridade disse que Sylvia foi reprovado em três testes de polígrafo sobre o compartilhamento de informações classificadas com a imprensa e que o caso foi encaminhado ao Departamento de Justiça.1
O porta-voz do Pentágono Sean Parnell não citou Sylvia nominalmente em uma declaração nas redes sociais, mas disse que "após uma ampla investigação do Escritório de Investigações Especiais da Força Aérea (Air Force OSI), o Departamento adotou as medidas de pessoal necessárias para proteger informações sensíveis." Ele acrescentou: "Para proteger a integridade da investigação, não faremos mais comentários sobre o indivíduo nem sobre as circunstâncias desta medida", e afirmou: "Este assunto, junto com outros, foi encaminhado ao Departamento de Justiça para possível ação judicial adicional. Informação classificada não é propriedade pessoal. Vazá-la para ganho pessoal, político ou profissional é uma traição à confiança depositada naqueles responsáveis por guardá-la. Nosso compromisso não foi uma promessa vazia. Prometemos encontrá-lo, e falamos sério."1
Essa versão é contestada. Duas outras fontes do Pentágono confirmaram à CBS News que a demissão estava relacionada aos testes de polígrafo, mas disseram que essas acusações não são verdadeiras. Uma autoridade do departamento disse ao Daily Wire que Hegseth havia demitido Sylvia pelo que foi classificado como "má conduta grave" e por se reunir com jornalistas fora do Pentágono e vazar informações classificadas relativas aos conflitos em curso no Irã e entre a Rússia e a Ucrânia.1,8
As reportagens também divergem sobre o papel de Sylvia no planejamento relativo ao Irã. A CBS News o descreveu como coordenador do plano de batalha para o Irã em seu cargo de chefe de estratégia, planos e política, conhecido como J5, que descreveu como responsável por avaliar como a guerra do Irã afeta o planejamento de longo prazo. O Daily Wire noticiou, citando a autoridade do departamento, que "Embora o título de Sylvia fosse diretor da Diretoria de Estratégia, Planos e Política da Junta de Chefes de Estado-Maior (Joint Chiefs of Staff), conhecida dentro das Forças Armadas como J5, ele NÃO foi um planejador central da Guerra do Irã. Essa é responsabilidade do CENTCOM e de seu comandante, o almirante Cooper."1,8
A mesma autoridade disse: "Devido à política de imprensa do Pentágono que exige que jornalistas tenham acompanhantes dentro do prédio, Sylvia passou a se reunir com jornalistas fora do Pentágono para vazar informações classificadas." A autoridade também disse: "Sylvia foi reprovado em três polígrafos que o questionaram sobre vazamento de informações classificadas. A investigação sobre ele continua em andamento e foi encaminhada ao Departamento de Justiça para medidas adicionais. A extensão de seus vazamentos tornou-se tão crítica que o secretário Hegseth agiu imediatamente e demitiu Sylvia para proteger a segurança nacional. Era necessária uma ação urgente e não se podia esperar nem mais um segundo."8
A condução do anúncio em si mudou. Um porta-voz da Junta de Chefes de Estado-Maior disse em declaração ao The Atlantic, que primeiro noticiou o fato: "O presidente, o Estado-Maior Conjunto e a Força Conjunta expressam nossa mais profunda gratidão ao tenente-general Brett Sylvia e à sua família por seus 32 anos de distintos serviços à nossa nação", acrescentando: "Desejamos a ele e à sua família o melhor ao avançarem para novas oportunidades e para os próximos capítulos de suas vidas." O Estado-Maior Conjunto então retirou essa declaração e emitiu uma nova, afirmando: "Após revisão adicional, determinamos que a declaração não refletia adequadamente todas as circunstâncias" e "Por respeito ao militar e ao processo de pessoal em andamento, não faremos mais comentários." Nenhum substituto para Sylvia foi nomeado.1,3
Sylvia é o segundo general sob Hegseth a ser afastado do cargo no J5, que assessora e auxilia o presidente da Junta de Chefes na avaliação da estratégia militar de longo prazo, incluindo a apresentação de possíveis desfechos, a ponderação de custos e benefícios e o planejamento de contingências. Seu antecessor, o tenente-general Joseph McGee, foi obrigado a se aposentar em outubro de 2025, e o Daily Wire noticiou que McGee havia sido indicado para promoção a diretor do Estado-Maior Conjunto pelo ex-presidente Joe Biden, mas sua promoção foi interrompida quando o presidente Donald Trump não o reconduziu após retornar à Casa Branca (White House) em 2025.1,8
Sylvia é ex-comandante da 101.ª Divisão Aerotransportada (101st Airborne Division), com múltiplas missões no Afeganistão (Afghanistan) e no Iraque (Iraq), recebeu a Estrela de Bronze por Bravura (Bronze Star for Valor) e o Coração Púrpuro (Purple Heart) após ser ferido em um tiroteio com o Talibã (Taliban) em uma carreira de combate de 32 anos. The New Republic, citando a demissão, o descreveu como ao menos o vigésimo sexto oficial militar de alta patente afastado por Hegseth neste ano.1,3
The New Republic também observou que Sylvia havia sido criticado mais de um ano atrás por Laura Loomer, que pedira uma revisão de seu emprego por causa de comentários publicados por seu filho Gavin após o assassinato de Charlie Kirk. Loomer escreveu: "Seu pai é major-general do Exército dos Estados Unidos (United States) e atualmente serve no Pentágono. Ele foi indicado para uma terceira estrela por Joe Biden.... Essas pessoas nos odeiam. Elas não pertencem a postos próximos às alavancas do nosso Poder Nacional.... Por favor, demitam Gavin Sylvia... [e] [@PeteHegseth] também deveria rever o emprego do pai de Gavin, o major-general Brett Sylvia."3
Hegseth fez da eliminação de vazadores no Pentágono uma prioridade, com fontes dizendo à CBS News no mês passado que oficiais militares de alta patente foram submetidos a testes de polígrafo. Três assessores de seu gabinete foram escoltados para fora no ano passado em meio a uma investigação de vazamentos, mas o Pentágono nunca divulgou os resultados de qualquer investigação.1
A destituição ocorre enquanto Trump avalia retomar os ataques contra o Irã após as eleições intercalares de 3 de novembro, segundo a CBS News, contexto também observado pela France 24, que disse que Trump parece estar se preparando para retomar ataques em larga escala contra o Irã. A France 24 disse que sua queda seria a mais recente de uma série de saídas de alto perfil das Forças Armadas desde que Trump voltou ao poder há um ano. O caso foi encaminhado para possível ação judicial adicional.1,7