Soldados israelenses atiraram e mataram dois homens que, segundo o exército, haviam lançado um ataque perto da cidade de Hebron, na Cisjordânia, na manhã de sexta-feira. Em poucas horas, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou que as forças de segurança isolassem a cidade e se preparassem para fechar completamente toda a Cisjordânia, a partir daquele dia. Netanyahu afirmou em comunicado que havia instruído o exército a “impor um cerco à cidade de Hebron e a se preparar para um fechamento total de toda a Cisjordânia a partir de hoje”. A NBC News descreveu a ordem como um “bloqueio total”.3,4,5,7
O exército disse que os dois homens haviam lançado um ataque e que portavam um fuzil M16 e uma pistola. Socorristas situaram o ataque perto do Entroncamento de Yehuda (Yehuda Junction), próximo a Hebron. O exército afirmou ter impedido um “ataque terrorista contra civis israelenses”, mas não disse quem seria o alvo pretendido. A Al Jazeera descreveu os dois homens como palestinos suspeitos de realizar um ataque armado perto de um posto de controle militar, e a NBC News informou que o exército os acusava de iniciar o tiroteio.4,5,6
O Magen David Adom, principal serviço de emergência de Israel, informou ter recebido um chamado por volta das 7h15, horário local, relatando múltiplas vítimas, e atendeu pelo menos cinco pessoas, duas delas em estado crítico. Socorristas disseram que dois homens na faixa dos 20 anos tinham ferimentos de bala nos membros inferiores, e um deles estava inconsciente e gravemente ferido. “Chegamos a uma cena difícil enquanto os disparos ainda aconteciam na área”, disse Tzuriel Edri, da equipe de resgate.4,5
Os veículos de imprensa deram versões diferentes sobre o balanço. A NBC News informou que o exército disse depois que dois soldados haviam morrido e que outros três tiveram ferimentos leves, e a DW apresentou o mesmo número, de dois soldados mortos. A France 24 relatou que pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, algumas em estado crítico, sem mencionar mortes de soldados, e a manchete do New York Post dizia que cinco pessoas haviam sido feridas. Até o fim da manhã de sexta-feira, a identidade dos dois homens ainda não estava clara, informou a NBC News.2,4,5,7
Netanyahu elogiou o que chamou de “nossos combatentes heroicos, que agiram com determinação e impediram um grande ataque terrorista, e desejamos aos feridos uma rápida recuperação”, segundo o comunicado. Após uma reunião de emergência com seu gabinete de segurança e as principais autoridades militares e de segurança, ele responsabilizou o Hamas pelo tiroteio e disse que o grupo estava “planejando um grande ataque destinado a assassinar civis inocentes”. Ele citou “grandes quantidades de armas e munições descobertas”, mas não deu mais detalhes, e não disse se entre os feridos havia soldados ou civis. A manchete do New York Post descrevia os dois homens como terroristas do Hamas.2,5,7
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, disse que o ataque em Hebron mostrou que Israel precisava restringir a liberdade de movimento dos palestinos na Cisjordânia. “As vidas dos moradores de Judeia e Samaria (Judea and Samaria), dos colonos, as vidas dos soldados, as vidas dos policiais, as vidas dos nossos combatentes valem um milhão de vezes mais do que a liberdade de movimento”, disse ele. A NBC News informou que ele também pediu que a Autoridade Palestina (Palestinian Authority), que há muito supervisiona partes da Cisjordânia, seja desmantelada. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse que não havia “como evitar uma campanha militar abrangente” no território para “desmantelar a Autoridade Palestina, recolher armas e eliminar terroristas — assim como em Gaza e no Líbano”.4,5
O ataque ocorreu poucos dias antes de os israelenses votarem na terça-feira, em uma eleição que, segundo a NBC News, é amplamente vista como um referendo sobre a liderança de Netanyahu em meio aos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Netanyahu concentrou grande parte de sua campanha na segurança dos israelenses, informou a NBC News, e seu governo tem alertado repetidamente sobre possíveis ataques de seus “inimigos”, sem apresentar provas. A France 24 informou que Netanyahu disse que o Hamas poderia atacar Israel para tentar influenciar o resultado da eleição, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação.4,5
O tiroteio também ocorreu em meio a um aumento da violência de colonos e da atividade militar na Cisjordânia, concentrado no início da temporada de colheita de azeitonas, informou a NBC News. Palestinos, ativistas e jornalistas americanos estiveram entre os atingidos ou detidos. Brad Lander, candidato ao Congresso por Nova York, foi detido na área no início da semana, junto com ativistas e rabinos americanos. Segundo as Nações Unidas (United Nations), pelo menos 160 ataques de colonos israelenses ligados à colheita foram registrados apenas nas primeiras duas semanas de outubro, muitos deles “sob a proteção de, ou com a participação de, forças israelenses”. A DW informou que dezenas de palestinos morreram no território desde o início do ano.5,7
O exército montou em seguida bloqueios e fechamentos em cidades palestinas da área, informou a France 24. A NBC News informou que o exército disse que “numerosos” soldados atuariam na região após o incidente.4,5
Uma investigação estava em andamento, disseram as autoridades. O gabinete de Netanyahu não deu mais detalhes sobre o fechamento planejado do território, informou a NBC News.4,5