Israel ordenou um cerco à cidade cisjordaniana de Hebron e preparou o fechamento total do território ocupado na sexta-feira, depois que dois atiradores palestinos atacaram uma posição militar israelense, matando dois soldados antes que ambos os agressores fossem mortos a tiros.1,2,3,4,5,6,7,8
O Exército israelense afirmou que o ataque ocorreu perto do Entroncamento de Yehuda (Yehuda Junction), nos arredores de Hebron, no início da manhã, e que outros três soldados ficaram levemente feridos. O Exército identificou os dois soldados mortos como o sargento-chefe Ron Yonatan Roytman, de 23 anos, e o sargento Yuval Shai Svilem, de 20 anos. Segundo o Exército, os dois suspeitos, ambos palestinos de Hebron, estavam armados com um fuzil M16 e uma pistola. O Magen David Adom, principal serviço de emergência de Israel, disse ter atendido múltiplas vítimas e tratado pelo menos cinco pessoas, duas delas em estado crítico. Os relatos divergiram sobre o número de feridos: o New York Post e a BBC citaram cinco, enquanto o Exército israelense citou três soldados levemente feridos, além dos mortos.2,3,4,7,8
O Exército disse que os homens chegaram a uma posição israelense pela manhã, desencadeando um tiroteio que durou cerca de 20 minutos, após o qual as tropas israelenses os mataram. O Exército afirmou ter impedido o que chamou de "ataque terrorista contra civis israelenses". O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, disse que "uma grande quantidade de munição foi encontrada" no veículo dos atiradores. "Essa munição se destinava a ser usada em um ataque de maior escala", afirmou. A BBC informou, citando o Exército israelense, que os atiradores provavelmente pretendiam atacar a Rodovia 35 (Route 35), nas proximidades, mas toparam com o posto de controle e abriram fogo ali. Imagens da BBC, verificadas pela emissora, mostraram um intenso combate armado entre soldados e os atiradores.3,4,7,8
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse, após uma reunião de emergência com seu gabinete de segurança e com autoridades militares e de segurança de alto escalão, que o ataque foi planejado pelo Hamas, que, segundo ele, "está planejando um grande ataque com o objetivo de assassinar civis inocentes". Ele citou "grandes quantidades de armas e munição encontradas", mas não forneceu mais detalhes. Não disse se os feridos eram soldados ou civis. A identidade dos dois atiradores não estava imediatamente clara no fim da manhã de sexta-feira, segundo a NBC News. O New York Post, citando o Kan 11, informou que um dos agressores seria supostamente ligado ao Hamas.3,7,8
O gabinete de Netanyahu informou ter instruído as Forças de Defesa de Israel (Israel Defense Forces) a impor um cerco a Hebron e a se preparar para o fechamento total da Cisjordânia a partir de sexta-feira. Em comunicado citado pelo New York Post, Netanyahu disse: "Cumprimento nossos soldados heroicos, que agiram com determinação e impediram um grande ataque, e desejo uma pronta recuperação aos nossos feridos." Ele acrescentou: "Nossas forças estão operando com efetivo reforçado para frustrar o terrorismo e estão realizando amplas ondas de prisões." O gabinete não deu mais detalhes sobre o fechamento planejado do território. Netanyahu também afirmou que Israel perseguirá os terroristas do Hamas e aqueles que os enviam "em toda parte e a qualquer momento", acrescentando: "Não há onde se esconderem."3,5,6,8
Falando no local, Netanyahu disse que o Exército "vai demolir este lugar e transformá-lo completamente", referindo-se ao bairro de Hebron de onde os atacantes teriam vindo, segundo a BBC. Fotografias de Hebron publicadas pela NBC News mostraram escavadeiras israelenses demolindo pelo menos um prédio palestino, e a BBC informou que máquinas foram vistas demolindo casas palestinas na tarde de sexta-feira. Netanyahu disse que soldados fariam buscas "casa por casa" nas áreas de onde os atacantes acreditavam ter vindo e retirariam os moradores. Ele afirmou que "toda a infraestrutura terrorista será tratada e destruída". A NBC News informou que Netanyahu disse que Israel consideraria "estender este modelo a outras cidades também", e que afirmou estar preparado para "uma operação em larga escala na Judeia e Samaria (Judea and Samaria)", nome que alguns israelenses usam para a Cisjordânia. A BBC informou que Netanyahu revisou planos para a maior operação militar na Cisjordânia em décadas, mas não disse quando ela poderia ser realizada. A BBC também noticiou que é comum que forças israelenses demoliam as casas de palestinos suspeitos de realizar ataques, prática que grupos de direitos humanos israelenses criticam como punição coletiva.1,3,4,7
Os membros de extrema direita do gabinete de Netanyahu ofereceram uma resposta mais ampla. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, escreveu nas redes sociais que "não há alternativa a uma campanha militar abrangente na Judeia e Samaria para desmantelar a Autoridade Palestina (Palestinian Authority), recolher as armas e eliminar os terroristas, exatamente como fizemos em Gaza e no Líbano". O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, descrito pela AP como conhecido por posições extremistas, disse que o ataque mostrou que Israel precisa restringir a liberdade de movimento dos palestinos na Cisjordânia. A AP informou que não havia nenhuma evidência, na sexta-feira, de que a Autoridade Palestina tivesse qualquer ligação com os atiradores.4,7
O Exército disse que soldados e agências de segurança e de inteligência israelenses realizaram dezenas de operações na Cisjordânia após o tiroteio e detiveram dezenas de pessoas, entre elas integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica (Islamic Jihad). Segundo o comunicado, foram encontradas armas, incluindo fuzis M16 e submetralhadoras. A AP informou que Israel impôs restrições em toda a Cisjordânia quatro vezes no último mês, fechando portões e postos de controle que ligam aldeias palestinas a grandes rodovias.7
O ataque acontece a poucos dias de uma eleição nacional muito acompanhada. Os eleitores israelenses decidirão na próxima terça-feira se concederão a Netanyahu mais um mandato. A NBC News descreveu a votação como amplamente vista como um referendo sobre sua liderança em meio aos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. O New York Post informou que a eleição será em 27 de outubro. A BBC disse que Netanyahu construiu sua campanha com a promessa de segurança e que seu partido Likud cancelaria eventos de campanha previstos para a manhã de sexta-feira. A NBC News informou que o governo de Netanyahu havia alertado repetidamente sobre possíveis ataques de "inimigos" do país antes da eleição, sem apresentar provas.3,4,7,8
Líderes da oposição apresentaram condolências. A BBC informou que o favorito nas pesquisas, Gadi Eisenkot, e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett expressaram condolências às famílias dos soldados mortos e elogiaram os que mataram os atacantes. O ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, havia acusado antes, na quinta-feira, líderes da oposição de minar o governo ao criticar os alertas de Netanyahu sobre um ataque antes da eleição, e disse que eles seriam "responsáveis" por qualquer ataque futuro ao país, segundo a BBC.4
O contexto mais amplo inclui um recente aumento da violência na Cisjordânia. A NBC News informou um recente surto de violência de colonos israelenses e de atividade militar concentrada no início da temporada de colheita de azeitonas, com palestinos, ativistas e jornalistas americanos entre os atacados e detidos. A BBC citou dados da ONU (United Nations) segundo os quais pelo menos 96 palestinos foram mortos por forças israelenses ou colonos na Cisjordânia desde o início do ano, e que quatro israelenses, entre integrantes das forças de segurança e civis, foram mortos por palestinos no mesmo período, sem contar os mortos no ataque de sexta-feira. A NBC News informou que Netanyahu já havia atribuído "um punhado de jovens delinquentes" a casos de violência de colonos e que, na sexta-feira, ele elogiou os colonos como "heroicos".3,4
O Exército israelense não informou por quanto tempo durará o fechamento da Cisjordânia. O gabinete de Netanyahu disse que o bloqueio começaria na sexta-feira, e o New York Post informou que Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, instruíram o chefe militar a manter o fechamento em vigor pelo menos até depois da eleição de 27 de outubro. Netanyahu disse que o Exército continuaria suas operações em Hebron, e a BBC informou que a extensão de qualquer operação maior na Cisjordânia permanecia indefinida.3,8,4