O republicano Mike Rogers e o democrata Abdul El-Sayed protagonizaram um confronto no palco nesta quarta-feira, no segundo e último debate, na WXYZ-TV, em Southfield, Michigan, em uma disputa pelo Senado que se tornou cada vez mais amarga.1,2,3,4
El-Sayed argumentou repetidamente que Rogers atuaria como representante do presidente Trump no Senado, enquanto Rogers descreveu seu adversário como não confiável e como alguém que tenta se distanciar de posições anteriores mais à esquerda. A disputa está praticamente empatada e é uma das corridas mais acompanhadas nas eleições legislativas de meio de mandato de novembro, podendo ajudar a definir qual partido controlará o Senado.1
El-Sayed chamou a plataforma de Rogers de "visão MAGA" e afirmou que o ex-congressista ficaria ao lado de Trump nas políticas que, segundo ele, são as piores do presidente, incluindo as que elevam os preços da gasolina e tornam os alimentos inacessíveis. O ex-funcionário democrata da área de saúde convidou o público a jogar "bingo MAGA" em resposta aos ataques de Rogers.1
"Ele vai se curvar a Donald Trump porque é um fantoche do homem", disse El-Sayed. Rogers reagiu: "Ele quer transformar isso em uma discussão sobre Donald Trump. O jogo de bingo deveria ser: 'Quantas vezes ele consegue colocar Trump em qualquer resposta?'"1
Durante o debate, Rogers afirmou que El-Sayed não tinha sido honesto sobre sua plataforma e o acusou de um "padrão de engano". Rogers também disse: "Pensem nisso: há tantos democratas que estão dizendo hoje que não podem votar em Abdul El-Sayed porque ele é extremista demais." Ele afirmou estar "se saindo excepcionalmente bem com democratas judeus que estão literalmente com medo", uma observação que aludia à relutância de alguns membros da comunidade em apoiar El-Sayed, um crítico frequente do governo israelense.1
Um dos momentos mais polêmicos ocorreu quando Rogers tentou associar El-Sayed à Irmandade Muçulmana e sugeriu que ele tinha os mesmos apoiadores de grupos terroristas como o Hamas. El-Sayed rejeitou veementemente essas acusações. No início deste mês, publicações nas redes sociais da meia-irmã de El-Sayed sugeriram que sua mãe apoiava a Irmandade Muçulmana, um grupo islamista e movimento político fundado no Egito, país de origem da mãe. El-Sayed negou qualquer ligação com a organização e observou que não foi criado pela mãe biológica, já que os pais se divorciaram quando ele ainda era jovem.1,7
Rogers disse que El-Sayed tentava se apresentar como "vítima". "Você pode sorrir e falar de maneira muito bonita, mas vou te dizer uma coisa: isso é um risco para a nossa segurança nacional", afirmou Rogers. Após o debate, ele disse a jornalistas que questiona se El-Sayed conseguiria uma autorização de segurança caso fosse eleito.1,7
El-Sayed classificou as acusações como "vergonhosas". "Ele continua levantando essa questão sobre uma associação com uma organização da qual nunca fiz parte, por causa da minha mãe, que é enfermeira no Missouri?", disse o democrata. "Não faz nenhum sentido, e é realmente muito abaixo de você, Mike."1
El-Sayed pressionou Rogers sobre a guerra no Irã, apontando o conflito como causa dos altos preços ao consumidor e descrevendo o republicano como um falcão que tem "uma guerra para tudo". Questionado sobre como reduziria os custos, El-Sayed respondeu: "Precisamos de uma Resolução de Poderes de Guerra, em vez de um senador que vai ficar lado a lado com Donald Trump nesta guerra que não fez sentido quando começou e certamente não faz sentido agora."1
Rogers defendeu o fim da guerra, mas no palco do debate também afirmou que, se o Irã pudesse controlar o Estreito de Ormuz (Strait of Hormuz) ou construir uma arma nuclear, o preço da gasolina poderia subir ainda mais. Perguntado se considera o Irã uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, El-Sayed disse que "não há dúvida de que o Irã representou uma ameaça", mas argumentou que "essa ameaça foi contida" pelo acordo da era Obama que limitou o programa nuclear iraniano. Trump rompeu esse acordo durante seu primeiro mandato. Rogers disse que o Irã é "absolutamente" uma ameaça e afirmou que as respostas anteriores de El-Sayed sobre o Irã foram "um completo impedimento se você vai mandar alguém … para o Senado dos Estados Unidos".1
Rogers também pressionou El-Sayed sobre posições progressistas, incluindo seu apoio ao Medicare para Todos (Medicare for All), um plano de saúde de pagador único. O debate foi menos acalorado que o primeiro encontro dos candidatos no início deste mês, que teve insultos e interrupções em quase todas as respostas, embora tenha permanecido tenso, segundo a CBS News. A The Hill descreveu o debate como menos inflamado que o primeiro e caracterizou a disputa como decisiva para o controle da câmara alta.1,4
Os democratas esperam se beneficiar da impopularidade de Trump e da frustração dos eleitores com a inflação e a guerra no Irã, enquanto os republicanos têm buscado capitalizar as divisões entre progressistas como El-Sayed e democratas mais moderados sobre a política para o Oriente Médio e o Medicare para Todos. Perguntado por jornalistas se planejava comparecer ao comício de Trump em Michigan no domingo, algo que El-Sayed havia mencionado durante o debate, Rogers disse que iria, mas ainda não conhecia todos os detalhes finais.1
O debate encerra os encontros formais presenciais entre os candidatos antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro.1,4