O Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (American Israel Public Affairs Committee) disse na quarta-feira que não endossará mais candidatos nem fará contribuições diretas às campanhas deles, revertendo uma estratégia adotada há cinco anos, enquanto seu super PAC afiliado continuará em operação.1,3
A mudança foi divulgada em uma carta enviada aos membros, obtida pela CNBC, e o Jewish Insider foi o primeiro a noticiá-la. Pelo plano, a AIPAC deixará de fazer endossos, contribuições diretas do PAC e contribuições vinculadas (earmarked) a candidatos. A entidade continuará operando o United Democracy Project, seu super PAC, e dará maior ênfase a levar doadores individuais a contribuir diretamente com candidatos, segundo a carta.3
Em declaração à CNBC, a porta-voz da AIPAC, Deryn Sousa, afirmou: "Queremos expandir de forma significativa nossa participação política como comunidade e intensificar o impacto direto de nossos ativistas. Esse será nosso foco nos próximos dois anos."3
A carta descreveu 2026 como "um dos ambientes mais desafiadores em memória recente" e alertou que esses desafios "continuarão a crescer".3
Quando o The Daily Caller pediu um comentário, a AIPAC encaminhou seu repórter a um e-mail da liderança do grupo com o assunto "Anunciando mudanças; construindo uma operação política mais forte". O e-mail dizia: "Para vencer a batalha pelo futuro do país e pela aliança EUA-Israel, precisamos construir uma operação política mais estratégica, consequente e ágil." E acrescentava: "Priorizaremos aumentar as contribuições diretas e organizadas de americanos individuais a candidatos, ampliando nossos esforços atuais, e maximizando as novas ferramentas de captação de recursos políticos."4
O e-mail continuava: "Endossos, contribuições diretas do PAC e contribuições vinculadas deixarão de fazer parte de nossa abordagem, para que possamos ampliar as doações individuais e usar novas ferramentas para ajudar nossos amigos a vencer." Ele afirmava que a abordagem "nos posiciona para aproveitar novas inovações e gerar um impacto político ainda maior para influenciar políticas públicas".4
A mudança pode tornar a influência da AIPAC mais difícil de identificar nos registros de financiamento de campanhas. Doações canalizadas pelo grupo são atualmente divulgadas como contribuições vinculadas à AIPAC, enquanto doações diretas de seus membros não teriam o mesmo rótulo, informou a CNBC. A reformulação preserva a capacidade do grupo de movimentar grandes somas de dinheiro, mesmo ao eliminar parte de suas atividades políticas mais visíveis.3
A mudança ocorre quando o apoio à AIPAC se tornou um passivo em algumas primárias democratas, em meio à guerra em Gaza, segundo a CNBC. Candidatos têm atacado rivais por aceitarem o apoio do grupo, e alguns parlamentares prometeram rejeitar dinheiro ligado a ele. Uma pesquisa do Pew Research Center realizada neste ano constatou que 80% dos democratas e dos independentes que se inclinam para o partido tinham uma visão desfavorável de Israel, contra 53% em 2022.3
Segundo uma análise da CNBC sobre registros da Comissão Federal Eleitoral (Federal Election Commission), a AIPAC mobilizou cerca de US$ 105,1 milhões neste ciclo por meio de seu PAC tradicional e de seu super PAC afiliado. O United Democracy Project informou US$ 53,4 milhões em despesas independentes até o fim de setembro. O PAC tradicional da AIPAC foi o maior doador entre os PACs para candidatos e outros comitês políticos em 2025, com US$ 26,8 milhões, mais de quatro vezes os US$ 6,1 milhões doados pelo PAC da Associação Nacional de Corretores de Imóveis (National Association of Realtors), o segundo maior doador.3
O maior envolvimento do grupo neste ciclo foi na primária democrata ao Senado por Michigan, onde, segundo a análise da CNBC, o super PAC gastou mais de US$ 30 milhões apoiando a deputada Haley Stevens e se opondo a Abdul El-Sayed. El-Sayed venceu a indicação por uma margem estreita. O super PAC também gastou milhões em primárias para a Câmara se opondo aos democratas Cori Bush e Tom Malinowski e ao republicano Thomas Massie. A análise da CNBC estimou o gasto em mais de US$ 3 milhões na disputa de Bush, cerca de US$ 2,3 milhões contra Malinowski e mais de US$ 4 milhões na primária do Kentucky, em que Massie foi derrotado.3
O The Daily Caller, citando o Jewish Insider, escreveu que o grupo seria incorporado ao seu super PAC irmão, o United Democracy Project PAC. Já a CNBC e a NPR descreveram o super PAC como continuando a operar junto com as mudanças. O The Daily Caller também escreveu que vários parlamentares, entre eles o senador por Nova Jersey (New Jersey) Corey Booker, haviam rejeitado doações de PACs externos ou recusado doações da AIPAC, ponto que atribuiu ao Jewish Insider.4,1
O e-mail terminava descrevendo a "missão e o compromisso com a política e a atuação políticas pró-Israel" do grupo como sua "luta geracional", afirmando que ele "nunca vai recuar".4