O presidente Donald Trump está considerando retomar ataques militares contra o Irã, provavelmente logo após as eleições de meio de mandato, informou The Atlantic, citando autoridades. A reportagem surgiu no momento em que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, por meio de sua Marinha, afirmou ter atingido sete embarcações no Golfo Pérsico e nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma alegação que não foi confirmada fora de Teerã.1,5,8
O plano em análise envolveria vários dias de ataques contra o arsenal de mísseis e drones do Irã, sua infraestrutura energética e suas instalações nucleares, disseram autoridades à revista. Ele combinaria duas abordagens que Trump ouviu de assessores: o argumento do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que um bloqueio dos EUA ao Estreito de Ormuz, somado a sanções, forçará o Irã a negociar, e o pedido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por mais uma rodada de ataques para derrubar o regime. Um assessor externo afirmou: "a pressão econômica está funcionando, e acreditamos que o Irã está chegando à beira do abismo".1
Trump sinalizou que uma decisão está próxima. Na noite de quarta-feira, disse a jornalistas: "A maioria das pessoas parece achar que será depois da eleição, e vamos ver o que acontece". Na quinta-feira, afirmou: "Nós demos uma surra neles. E talvez façamos mais um pouco". Questionado sobre negociações, respondeu primeiro: "Um pouco, mas vamos ver o que acontece", e depois: "Acho que não estamos negociando".2
A Casa Branca descartou ataques americanos antes das eleições de meio de mandato. "Os Estados Unidos não atacarão o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato", disse Anna Kelly na quinta-feira. A Breitbart a identificou como porta-voz da Casa Branca, enquanto a Daily Caller News Foundation a chamou de vice-secretária de imprensa principal. Trump não autorizou nova ofensiva, e a decisão sobre retomar os ataques permanece em suas mãos.2,5
O New York Times informou na quarta-feira, citando autoridades americanas de alto escalão, que planejadores americanos e israelenses desenvolveram planos para uma "operação curta, mas intensiva" no Irã, destinada a forçar "concessões diplomáticas" ao enfraquecer sua economia. A Breitbart descreveu o plano como uma ofensiva potencialmente de três dias, enquanto o relato da DW não informou a duração. Os alvos propostos incluem instalações petroquímicas e o complexo nuclear de Pickaxe Mountain. Dois grupos de ataque com porta-aviões americanos estão no Mar Arábico, e um terceiro é esperado até o fim de novembro.2,8
A ABC News informou na quinta-feira, citando duas fontes israelenses, que autoridades de Israel esperam uma ofensiva conjunta logo após as eleições de meio de mandato. "A temporada de caça começa assim que as eleições terminarem, e é óbvio que eles não vão esperar muito", disse uma fonte. Netanyahu declarou na quarta-feira: "Há apenas uma forma de remover essa ameaça de uma vez por todas: derrubar o regime no Irã". Israel realiza sua eleição em 27 de outubro.2,8
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, fez uma visita não anunciada a Israel na segunda-feira, quando planos para novos ataques foram discutidos, segundo uma fonte israelense. Hegseth disse a jornalistas na terça-feira: "Causamos uma devastação histórica às capacidades militares deles, mas, se eles não estiverem dispostos a abrir mão disso e o presidente pedir para ir ainda mais longe — estamos preparados". O Comando Central dos EUA recusou-se a discutir mobilizações específicas, citando segurança operacional.2
A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou na quinta-feira ter atingido sete embarcações. Disse que quatro navios que havia rastreado, e que alegou estarem realizando transferências ilegais de petróleo de navio para navio, foram atingidos e pegaram fogo no norte do Golfo Pérsico na quarta-feira, e que outros três atingiram minas navais a oeste do Estreito de Ormuz. A televisão estatal iraniana informou que três petroleiros foram danificados e imobilizados. As alegações não foram confirmadas fora de Teerã, e as forças militares iranianas não identificaram as embarcações. A Al Jazeera classificou os ataques como uma "grande escalada". Caso sejam confirmados, informou a Associated Press, seriam o maior número de embarcações comerciais danificadas em um único dia nas proximidades do estreito desde que EUA e Israel lançaram a guerra em 28 de fevereiro.5,6
O Irã ameaçou uma resposta mais ampla caso os ataques sejam retomados. O general de divisão Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, disse ao Drop Site News que "cabos, data centers e instalações de inteligência artificial também podem ficar ao alcance" em caso de guerra. "Se o conflito recomeçar, teremos um plano mais amplo", alertou. Mohammad-Saleh Jokar, presidente da Comissão de Assuntos Internos do parlamento, pediu às autoridades que permitam "o uso de armas de dissuasão, incluindo armas nucleares" caso os Estados Unidos ataquem, segundo a Iran International.2
O Brent chegou a mais de US$ 113, seu nível mais alto desde maio. A senadora Elizabeth Warren afirmou que pelo menos 23 militares americanos morreram e que mais de US$ 45 bilhões em "dinheiro dos contribuintes" foram gastos na guerra. "Ninguém parece capaz de explicar o que essa guerra conquistou ou quando vai terminar", disse Warren.4,6
Analistas apresentaram visões divergentes. Trita Parsi, do Quincy Institute for Responsible Statecraft, afirmou: "As forças que empurram as coisas para outra rodada de guerra são muito mais fortes do que as forças que puxam no sentido contrário". Steven Bucci, pesquisador visitante da Heritage Foundation e ex-funcionário do Pentágono, disse: "O Irã está nos últimos suspiros de sua capacidade militar".5
A mais recente proposta do Irã, enviada por mediadores do Catar, reabriria o Estreito de Ormuz sob controle iraniano em troca do fim do bloqueio dos EUA, da liberação de ativos congelados e do encerramento das ações militares. "No momento, estamos diante de um impasse", disse Rahman Ghahremanpour, analista político sediado em Teerã. "Autoridades iranianas não parecem otimistas quanto a chegar a um acordo".8