O Departamento de Justiça processou autoridades eleitorais do Alasca para bloquear a certificação dos resultados do Senado estadual de novembro caso o senador republicano em exercício, Dan Sullivan, perca, uma medida que o presidente Donald Trump disse ter ordenado.1,3,6,7
O processo, apresentado em tribunal federal em Anchorage, tem como réus o estado e autoridades eleitorais locais. A NBC News, The Hill e a France 24 informaram que foi apresentado na quinta-feira, enquanto a CBS News e o Daily Caller disseram que foi apresentado na sexta-feira. A France 24 relatou que o controle do Senado pode depender do Alasca, onde Sullivan disputa uma eleição acirrada com a democrata Mary Peltola, e que os republicanos controlam por pouca margem as duas casas do Congresso.1,2,3,4,7
O departamento argumentou que a presença na cédula de outro candidato, Daniel J. Sullivan, poderia induzir em erro apoiadores do senador. "Por exemplo, alguns apoiadores do senador Sullivan provavelmente votarão, sem querer, em Daniel J. Sullivan", diz a petição. "Para se proteger desse perigo, é fundamental que os réus não certifiquem qualquer resultado eleitoral que possa ser afetado pela confusão dos eleitores", acrescenta. O departamento pede que um tribunal bloqueie a certificação caso o senador Sullivan não vença e, se os votos dados ao desafiante tivessem ido para o senador Sullivan pelo processo de voto por ordem de preferência do Alasca, ele teria vencido.3,7
Trump disse a repórteres na sexta-feira que determinou a ação. "Fui eu que disse para fazer", afirmou, classificando a candidatura do desafiante como "uma vergonha". A petição, assinada pelo procurador-geral associado Stanley Woodward, afirma que a ação foi apresentada "para proteger a integridade da eleição para o Senado de 2026 no Alasca". Um porta-voz do Departamento de Justiça disse que a candidatura "foi concebida para enganar eleitores e comprometer a justiça da cédula".1,3,7
O desafiante é descrito pelo Daily Caller como um professor aposentado de Petersburg e pela France 24 como ex-funcionário do Serviço Florestal dos EUA e professor do ensino fundamental. A France 24 relatou que ele se inscreveu para concorrer em 29 de maio, enquanto o Daily Caller disse que ele entrou na disputa em junho. Ele negou em entrevistas a veículos de imprensa dos EUA que seu objetivo seja causar confusão ou desviar votos do senador, segundo a France 24.2,7
A Suprema Corte do Alasca permitiu que o desafiante aparecesse na cédula em junho, informou a France 24. O Daily Caller disse que a diretora da Divisão de Eleições, Carol Beecher, escreveu a ele em uma carta de 26 de agosto que sua declaração de candidatura "não foi apresentada com o objetivo de declarar uma candidatura real e de boa-fé". Ele aparecerá sem indicação partidária, enquanto o senador consta como o republicano em exercício.2,7
A Divisão de Eleições do Alasca afirmou em nota que está analisando a denúncia e que está "focada em conduzir a eleição em andamento e em dar aos eleitores confiança de que seus votos serão contados". A nota também citou "ajudar os eleitores e evitar confusão entre eles".3
Peltola, a candidata democrata, escreveu no X: "Esta é a corrupção com a qual o Alasca está farto", e afirmou que Sullivan está "usando seus aliados de Washington para tentar se manter no poder". Ela disse à MS NOW que "simplesmente não há muito espaço para confusão" na cédula. A outra senadora do Alasca, a republicana Lisa Murkowski, disse na sexta-feira que o Departamento de Justiça "nunca deveria ter apresentado esta ação". O escritório e a campanha do senador Sullivan não responderam de imediato a pedidos de comentário.3,7
O procurador-geral Todd Blanche disse a repórteres na quinta-feira que "não é intenção do DOJ, e nunca é nossa intenção, interferir indevidamente em eleições ou no processo de confirmação estadual ou no processo de certificação". Ele afirmou: "Não estou tentando impedir que uma eleição seja certificada. Claro que não", e a NBC informou que poderia haver um cenário "do juízo final" em que o departamento tentaria intervir.3
As eleições nos EUA são conduzidas por autoridades estaduais e locais, que têm a responsabilidade de certificar os resultados. O papel do departamento é limitado por lei, que lhe permite principalmente proteger direitos civis e processar pessoas que violem a legislação eleitoral. Justin Levitt, colaborador da NBC News que foi funcionário do Departamento de Justiça durante o governo Obama, disse que não existe lei que permita ao departamento contestar cédulas ou atrasar a certificação.3
Especialistas em direito eleitoral citados pela France 24 afirmaram que a ação não tem mérito e busca uma reparação não permitida pela legislação federal. Derek Muller, professor de direito da Universidade Notre Dame, escreveu em um blog que, "como muitas cartas do Departamento nos últimos anos, ela foi feita para render uma manchete de imprensa e não para vencer o processo judicial".7
O caso surge em meio ao que a France 24, citando a Reuters, descreveu como uma abordagem cada vez mais agressiva do governo na fiscalização eleitoral, incluindo pressões sobre estados para obter dados de registro de eleitores. Autoridades eleitorais de todo o país disseram à Reuters que se preparam para uma possível interferência federal, incluindo contestações judiciais.7
Não está claro por que o departamento decidiu agir agora, com a eleição a menos de duas semanas. David Becker, do Center for Election Innovation and Research, grupo apartidário que assessora autoridades eleitorais, disse que a administração "não tem absolutamente nenhuma autoridade para dizer ao Alasca quando ou como certificar os resultados de sua eleição para o Senado". Ele acrescentou que "essa questão já foi plenamente julgada pelos tribunais do Alasca".3,7