O presidente iraniano Masoud Pezeshkian culpou Washington neste sábado pelo colapso de um acordo provisório destinado a encerrar a guerra com os EUA e Israel, enquanto crescia o temor de que os combates pudessem ser retomados já neste fim de semana.1
Em declarações transmitidas pela Press TV iraniana, Pezeshkian também afirmou que ambos os lados deveriam voltar ao acordo e "concluí-lo". A guerra começou em 28 de fevereiro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, tem se referido à campanha conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã pelo nome de código Epic Fury.1,4
Em um comício na Flórida na sexta-feira, Trump sugeriu que os EUA poderiam lançar outra operação contra o Irã caso Teerã (Tehran) não chegasse a um acordo. "Podemos fazer mais uma pequena Epic Fury, ou eles vão concordar", disse o presidente.4,1
O Diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, alertou o secretário de Estado, Marco Rubio, em carta na sexta-feira, que o Irã "aumentou substancialmente os esforços para atingir o pessoal dos EUA". A Axios foi a primeira a noticiar o memorando, e a CBS News também obteve o documento. "Os esforços letais de planejamento dos iranianos contra cidadãos americanos atingiram estágios avançados tanto no Oriente Médio quanto em certos outros países", escreveu Clayton.2,4
O memorando de uma página, não classificado, não identifica alvos ou países específicos e não diz se algum ataque é iminente. Clayton também afirmou que a comunidade de inteligência dos EUA trabalha para rebaixar a classificação de informações sensíveis, de modo que possam ser compartilhadas de forma mais ampla com o pessoal do Departamento de Estado (State Department). O diretor da CIA, John Ratcliffe, foi copiado no memorando.2,4
O alerta surgiu enquanto Washington reduzia sua presença diplomática na região. No início desta semana, o Departamento de Estado ordenou que o pessoal não emergencial do governo americano e suas famílias deixassem a Arábia Saudita (Saudi Arabia). Na sexta-feira, anunciou reduções de pessoal nas embaixadas na Jordânia (Jordan), no Líbano (Lebanon), no Catar (Qatar) e nos Emirados Árabes Unidos (United Arab Emirates), sem ordenar partidas. "No que diz respeito ao nosso efetivo nas embaixadas, avaliamos constantemente novas informações sobre o ambiente de segurança", disse um funcionário dos EUA à CBS News.2,4
O movimento huthi (Houthi), apoiado pelo Irã e atuante no Iêmen (Yemen), intensificou ataques com drones e mísseis contra a Arábia Saudita, visando infraestrutura petrolífera e aeroportos. Um ataque ao Aeroporto King Khalid, em Riad (Riyadh), no início deste mês, matou pelo menos uma dúzia de pessoas, incluindo um cidadão americano, e feriu centenas de outras. No fim de semana passado, as embaixadas dos EUA na Arábia Saudita, no Bahrein (Bahrain), no Catar, nos Emirados Árabes Unidos e em outros países pediram que os americanos redobrassem a cautela.4
Tom Barrack, embaixador dos EUA na Turquia (Turkey) e enviado especial para a Síria (Syria), disse a um podcaster que um ataque dos EUA contra o Irã "com certeza" poderia ocorrer neste fim de semana. A declaração contradizia afirmações anteriores da Casa Branca de que não haveria tal ataque antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Questionado sobre o comentário na sexta-feira, Trump disse: "Esse era meu embaixador na Turquia? Ele é um homem bastante poderoso, suponho." E acrescentou: "Bem, se for o caso, não sei de nada disso."2
Os militares dos EUA elaboraram opções para atacar o Irã após as eleições de meio de mandato, o que poderia reacender um conflito que já dura mais de oito meses. O Comando Central dos EUA (US Central Command) tem planos prontos para conduzir novos ataques caso a Casa Branca os autorize. O Wall Street Journal informou neste sábado, a bordo do USS George Washington, um dos dois porta-aviões americanos na região, que navios de guerra dos EUA se preparam para uma possível nova escalada. O comandante do navio, capitão Nicholas DeLeo, disse: "Estamos sempre preparados."3,2
As reportagens divergem quanto ao momento. A Al Jazeera descreveu temores de ação militar já neste fim de semana, enquanto o site The Hill noticiou opções de ataque após as eleições de meio de mandato. A CBS News informou que Trump não descartou retomar as hostilidades após as eleições de meio de mandato do próximo mês, e o jornal New York Post noticiou que a Casa Branca teria dito que não haveria ataque antes delas. Nenhuma das reportagens diz se algum ataque ocorrerá.1,2,3,4
A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, disse neste sábado que Teerã não "esperaria por permissão para se defender" e que o país "busca a paz, mas responderá a qualquer agressão com consequências severas". A Guarda Revolucionária Islâmica (Islamic Revolutionary Guard Corps) alertou, segundo declarações noticiadas pela agência semioficial Agência de Notícias Fars (Fars News Agency), que até ataques limitados provocariam uma resposta "várias vezes maior".1
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Ali Abdollahi, disse neste sábado que os militares dos EUA não seriam autorizados a entrar no Golfo "sob nenhuma circunstância e em nenhum momento". Ele afirmou que Trump só poderia "sonhar" em ver forças americanas entrando no Golfo e acrescentou que levaria esse sonho para o túmulo.1
Mojtaba Khamenei substituiu o pai como líder supremo depois que este foi assassinado durante os ataques iniciais da guerra, em 28 de fevereiro, e não é visto em público desde o início de março. O chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, se reuniu com ele para discutir corrupção e indenizações a iranianos afetados pela guerra. Os israelenses escolherão seu próximo governo na terça-feira, e as eleições de meio de mandato nos EUA ocorrerão em 3 de novembro.1,2
Mohajerani escreveu em um memorando: "Nossa posição é clara: não fugimos do diálogo pela paz e não hesitamos em defender o país. Aqueles que nutrem a ilusão de destruir o Irã devem corrigir seus cálculos."1