O presidente Donald Trump anunciou neste domingo planos para fechar e reconstruir o East Potomac Golf Links, em Washington, por cerca de 15 meses, a partir de 15 de novembro, mesmo com uma juíza federal ter determinado a suspensão de partes do projeto e estar avaliando a posição do governo.4,5,6,7
Em publicação na Truth Social, Trump escreveu que "os trabalhos de restauração começarão" em 15 de novembro e que o campo reabriria em cerca de 15 meses como "um dos Melhores e Mais Espetaculares Campos de Golfe do Mundo". A publicação incluiu uma imagem ilustrativa do novo projeto e não mencionou a disputa judicial. "Quando concluído, ele estará aberto ao público e, ao mesmo tempo, projetado para o mais alto nível do golfe e capaz de sediar torneios de classe mundial, como o U.S. Open, o PGA Championship, a Ryder Cup e a Presidents Cup", escreveu Trump.6,7
Trump vinculou o projeto ao Departamento do Interior (Department of the Interior). "Tenho o prazer de anunciar que o Departamento do Interior, sob a orientação do Secretário Doug Burgum, e em conjunto com o renomado arquiteto de campos de golfe Tom Fazio, desenvolveu um plano para construir um Mundo…", disse ele em publicação citada pelo The Hill.4
Trump também argumentou que o campo atual precisa de grandes obras. "O atual Campo é antigo, quebrado, deteriorado e não tem mais nenhuma utilidade ou efeito. Está em péssimo estado, com árvores que caem, são perigosas e estão infestadas por doenças e, o mais importante, com um muro de contenção desabando e perigoso", escreveu. Ele acrescentou que, quando o campo foi construído, "era famoso por não ter árvores, com vista para Washington, D.C., para todos verem, mas agora está completamente tomado pela vegetação, disfuncional e inseguro". Trump apresentou argumentos semelhantes para justificar seus planos para o Centro Kennedy (Kennedy Center).7
O parque e o campo, com 106 anos, já foram alvo de muitas audiências de emergência enquanto o presidente busca reformá-lo. O campo esteve aberto a moradores de Washington de todas as faixas de renda, mas opositores dos planos de Trump de transformá-lo em um campo de alto padrão argumentam que isso alterará o caráter do espaço e o tornará menos acessível. A reforma é um dos vários projetos de Trump em Washington, incluindo um salão de baile na Casa Branca (White House), a instalação do nome dele no Centro Kennedy e um grande arco, todos contestados na Justiça.6,7
A juíza distrital dos EUA Ana Reyes, nomeada para o tribunal federal pelo presidente Joe Biden em 2023, decidiu no início deste ano que o governo federal deve notificar antes que qualquer obra substancial possa avançar. Depois que o governo removeu cerca de 500 árvores do local no dia seguinte a um documento apresentado à Justiça no início de outubro, Reyes determinou a interrupção das remoções e classificou o episódio como "inexcusável", segundo o The Guardian. O governo afirmou que as remoções melhorariam a segurança e restaurariam o desenho original do campo, e que faziam parte de um plano de 2019 anterior às ambições de Trump para o local.6
As reportagens divergem sobre o alcance da decisão da juíza. O The Guardian a descreveu como uma suspensão da remoção de árvores, enquanto a Associated Press escreveu que Reyes determinou a suspensão dos planos de redesenvolvimento até pelo menos 26 de outubro, depois de repreender o governo por iniciar uma grande remoção de árvores em um feriado prolongado, com pouco aviso ao tribunal e aos autores da ação.6,7
Em um documento de 9 de outubro, a administração pediu que Reyes arquivasse o processo, alegando que ele era prematuro porque o "projeto proposto permanece em estágio inicial e conceitual". Um documento apresentado na sexta-feira afirmou que, "no máximo", Trump teve "uma reflexão preliminar" sobre o plano de reconstrução e que "não há nenhuma ação final da agência". Reyes determinou que o governo informe a ela, até as 20h (horário da Costa Leste dos EUA) deste domingo, se sua posição mudou. A Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre se o anúncio de Trump conflitaria com as determinações da juíza.6,7
A manchete da NBC News descrevia uma declaração do Departamento de Justiça (Justice Department) à juíza segundo a qual o campo de golfe não fecharia, apesar da insistência de Trump após o corte das árvores. Esse relato difere do fechamento anunciado pelo presidente em sua publicação, que a Associated Press e o The Guardian descreveram. Mais detalhes da declaração do Departamento de Justiça não estavam disponíveis de imediato.3,6,7
A Democracy Forward, que representa os autores da ação contra a reforma, respondeu que o campo faz parte de uma instalação nacional de parques e lazer destinada a ser usada por todos. "Nosso litígio tem como objetivo proteger esta joia da comunidade para as pessoas e comunidades que ela atende, e continuaremos a trabalhar com nossos autores para defendê-la de intrusões ilegais e prejudiciais", disse Skye Perryman, presidente e diretora executiva do grupo, em comunicado.6,7
A DC Preservation League entrou com uma ação em fevereiro para barrar a tomada do campo de golfe pelo governo, alegando que a medida violaria leis ambientais e "destruiria de forma irreparável uma peça inestimável da história americana". A Associated Press informou que o caso também foi movido por dois golfistas que se opõem à construção. Uma audiência no caso está marcada para segunda-feira.6,7
Na sexta-feira, o governo também apresentou um pedido para afastar Reyes e transferir o caso para outro juiz. A Associated Press informou que a administração questionou a imparcialidade dela e citou o que chamou de comportamento "flagrante" do tribunal em uma audiência de emergência em 12 de outubro. Documentos judiciais citados pelo The Guardian mostram que o governo afirmou que as ações dela demonstraram "antagonismo profundamente enraizado e inequívoco" e "hostilidade aberta" contra a administração. Os demandantes se opõem ao pedido.6,7
Na audiência de segunda-feira, a juíza deve tratar do pedido para que se afaste do caso. Reyes determinou que membros-chave da administração depusessem sobre a recente remoção de árvores e sobre se essas ações estão ligadas aos planos do presidente para o campo. No fim de semana, os autores pediram que ela conceda uma liminar preliminar de longo prazo e/ou uma suspensão.6,7