Moscou está pronta para retomar as negociações trilaterais com a Ucrânia e os Estados Unidos após 4 de novembro, afirmou um assessor do Kremlin em 25 de outubro, definindo um novo calendário para as negociações, que estão paralisadas desde o início deste ano.1,3
Yuri Ushakov, assessor de política externa do presidente russo, Vladimir Putin, disse à agência estatal Vesti que 4 de novembro, data em que a Rússia celebra o Dia da Unidade Nacional, é agora o ponto de referência. “O próximo prazo agora é 4 de novembro, nosso grande feriado. Depois disso, estaremos prontos para retomar as negociações”, disse Ushakov. Suas declarações seguiram-se à afirmação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, feita em 23 de outubro, de que uma nova rodada era esperada na primeira quinzena de novembro, com Abu Dhabi como possível local.1
Na sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas que a próxima rodada estava “planejada para a primeira quinzena de novembro em Abu Dhabi” e que “acontecerá em formato trilateral”. Moscou e Kiev confirmaram que as conversas entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos estão previstas para novembro nos Emirados Árabes Unidos.3
Zelensky disse ao think tank Hudson Institute, na sexta-feira, que as negociações técnicas ocorrerão “na primeira quinzena de novembro, e o mais cedo possível”. Ele advertiu que muito dependerá da Rússia, observando que um encontro semelhante, previsto para o início deste mês, não chegou a acontecer.3
Ushakov foi mais cauteloso quanto aos resultados. Ele disse não esperar que a primeira reunião trilateral após a pausa produza resultados significativos, chamando-a de “teste”, e afirmou que um acordo de paz “ainda precisa de trabalho”. As reportagens não dizem como o marco de 4 de novembro, citado por Ushakov, será conciliado com a janela da primeira quinzena de novembro mencionada por Peskov e Zelensky.1,3
As conversas seguiriam um processo que avançou pouco. As negociações mediadas pelos Estados Unidos realizadas no início deste ano renderam pouco, e os encontros foram interrompidos quando a administração Trump concentrou-se em sua guerra contra o Irã. Em 21 de outubro, Steve Witkoff se reuniu com Putin em São Petersburgo por três horas, após o que o Kremlin afirmou estar pronto para retomar as negociações trilaterais em novembro.1,3
A distância em relação ao mérito continua grande. O Kremlin tem rejeitado repetidamente propostas de cessar-fogo e exige que Kiev ceda o Donbas, parcialmente ocupado, uma região estrategicamente importante no leste da Ucrânia, enquanto a Ucrânia aceitou várias propostas de cessar-fogo apresentadas pelos Estados Unidos. A Al Jazeera observou que a Rússia mantém uma lista de exigências linha-dura, incluindo que a Ucrânia entregue grandes partes de seu território e concorde em não aderir à OTAN.1,3
Em entrevista televisionada exibida na noite de quinta-feira, Putin disse que as negociações trilaterais devem concentrar-se em arranjos de segurança de longo prazo para um acordo de paz definitivo, e não em uma trégua “curta”. Zelensky afirmou que qualquer acordo de paz exigiria garantias de segurança robustas e financiamento por 10 anos para manter o Exército ucraniano, e pediu que a Europa participe. O Kremlin também afirmou que o crescente apoio europeu à Ucrânia confere ao bloco um papel maior nas próximas negociações.2,3
Putin evita há muito tempo encontrar-se com Zelensky, e o líder do Kremlin buscaria, segundo relatos, um encontro com Trump na China no próximo mês para garantir um acordo de paz favorável sem a participação da Ucrânia. As reportagens não informam se tal encontro foi marcado.1
As conversas ocorrem em meio a crescente tensão entre Kiev e integrantes do governo dos EUA, e a sinais de melhora nas relações entre Trump e Putin. Trump criticou Zelensky, anunciou um cessar-fogo energético que depois fracassou, ameaçou cortar o compartilhamento de inteligência com Kiev e aliviou sanções sobre as exportações de petróleo russo. Ele argumentou que o alívio das sanções poderia estimular Moscou a participar de negociações com Kiev. Trump também fechou um acordo para comprar 300 mil toneladas de diesel russo, e Moscou afirmou na sexta-feira que o primeiro carregamento estava a caminho de Nova York. Líderes europeus disseram que o acordo deu à Rússia “esperança” e tornou a paz mais difícil de alcançar.1,3
Forças ucranianas relataram problemas de acesso à tecnologia de satélites Starlink e a informações de inteligência cruciais, apesar de garantias dos EUA de que as restrições de velocidade haviam sido removidas. Zelensky disse que a Ucrânia ainda aguarda os interceptadores de defesa aérea que lhe foram prometidos. Na sexta-feira, a Casa Branca afirmou que a primeira-dama Melania Trump havia intermediado um “cessar-fogo localizado” em Oleshky, uma cidade no sul da Ucrânia ocupada pela Rússia desde fevereiro de 2022.3
Anton Kovalsky, procurador-geral interino da Ucrânia, afirmou na sexta-feira que ataques russos mataram mais de 19 mil civis ucranianos, incluindo 762 crianças, desde que a Rússia lançou sua guerra em larga escala há mais de quatro anos. Em separado, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou que Moscou e Kiev trocaram 270 prisioneiros de guerra cada.3
O que vem a seguir é incerto. O marco de 4 de novembro, de Ushakov, a janela da primeira quinzena de novembro, de Peskov, e o “o mais cedo possível”, de Zelensky, não foram conciliados nas reportagens. Zelensky disse que as negociações ocorreriam no início de novembro, mas que “tudo depende dos russos”.1,3,4