As forças de segurança jordanianas prenderam três homens na segunda-feira, após um tiroteio ao amanhecer na governadoria de Karak, em relação a um ataque contra uma igreja ortodoxa grega que matou nove pessoas durante um funeral na sexta-feira.1,3,5
A Direção de Segurança Pública informou que os três suspeitos ficaram feridos na operação e que haviam sido encurralados em uma casa abandonada, onde se barricaram e abriram fogo contra as forças de segurança. Nenhum membro das forças de segurança ficou ferido, e as autoridades afirmaram que as forças apreenderam armas de fogo e grande quantidade de munição. A casa ficava em Karak, localizada a cerca de 120 quilômetros (75 milhas) a sudoeste da capital, Amã (Amman), segundo a DW. Karak abriga uma comunidade cristã significativa no reino de maioria muçulmana, onde os cristãos representam entre dois e três por cento da população, informou a France 24.1,3,5
O ataque ocorreu na sexta-feira na Igreja de São Jorge (St George's), na aldeia de Hammoud, onde homens armados invadiram o complexo durante um cortejo fúnebre, segundo as autoridades. O Daily Caller, citando a Associated Press, informou que imagens exibidas pela televisão estatal jordaniana mostravam dois atacantes com pistolas atirando enquanto se aproximavam da igreja, e que um terceiro chegou com um fuzil semiautomático e se juntou aos disparos antes de o grupo invadir o prédio. Dorgham Halasa, um enlutado que estava dentro da igreja, disse à AP que os disparos começaram cerca de 15 minutos após o início do culto. "Foi uma situação estranha, e houve intensos disparos de arma de fogo", disse Halasa. Ele não viu os atacantes e, embora outras pessoas tenham relatado quatro deles, a agência de notícias não conseguiu confirmar esse número.4,5,1
Nove pessoas morreram, segundo a CBS News, a DW e a France 24. A CBS afirmou que o ataque feriu mais de duas dezenas de pessoas, enquanto a DW colocou o número de feridos em cerca de 40. O Daily Caller relatou números anteriores da AP, que havia estimado o número de mortos em sete e o de feridos em 40. O ministro da Saúde, Ibrahim al-Budour, disse que dois dos feridos permaneciam em estado crítico. O Daily Caller também informou, citando a International Christian Concern, que 27 dos feridos ainda recebiam tratamento, segundo Obeidallah Maaytah, diretor de segurança pública. A France 24 deu o nome do diretor como Abdullah Al-Maaytah.1,3,4,5
O ministro do Interior, Mazen al-Faraya, descreveu as prisões em entrevista telefônica à emissora estatal Al-Mamlaka. "Os serviços de segurança cumpriram seus deveres, resultando na captura daqueles que cometeram este ato terrorista", disse Al-Faraya. Ele afirmou que os suspeitos "ofereceram resistência feroz, mas acabaram sendo dominados e levados sob custódia, após sofrerem ferimentos graves". Acrescentou que havia "três indivíduos envolvidos", que foram "identificados logo no início, na sequência do incidente terrorista".3,5
Autoridades da Direção de Segurança Pública deram mais detalhes em uma coletiva de imprensa. "Os três terroristas foram feridos. Foram levados ao hospital e ainda recebem tratamento", disse o major-general Abdullah Al-Maaytah na coletiva. Ele afirmou que os suspeitos presos eram dois irmãos e outro homem aparentado com eles por casamento, e que eram extremistas islâmicos. Disse que serão investigados e levados aos tribunais. Segundo a Al-Mamlaka, um dos suspeitos estava em estado crítico.5
As autoridades deram versões diferentes sobre os responsáveis. O ministro do Interior vinculou o tiroteio a um grupo de extremistas, segundo a CBS News, citada pelo Daily Caller. Antes, um comunicado do governo atribuíra o ataque a agressores não identificados e afirmara que a investigação avançava, informou a AP. O primeiro-ministro Jafar Hassan atribuiu o ataque à ideologia extremista durante uma reunião de segurança em Karak. Al-Faraya disse não haver "nenhum indício de contatos externos ou colaboração com partes estrangeiras".4,5,1
O rei Abdullah II afirmou, em publicação na plataforma X, que as forças de segurança "os perseguiram até o fim". "Juramos que os terroristas não escapariam da punição, e nenhum defensor de ideologias sombrias que dividem os jordanianos será tolerado", escreveu. Antes, o rei visitou vítimas feridas no hospital, usando uniforme militar e portando uma pistola no quadril. "Vamos mostrar a eles", prometeu. Em outra publicação, comprometeu-se a que a Jordânia "enfrentará o ato terrorista que atingiu Karak com as penas mais severas", segundo o Daily Caller.5,4
O ministro da Comunicação Governamental, Mohammad al-Momani, disse: "Estamos prontos e vamos golpear com punho de ferro, sem misericórdia ou clemência, qualquer um que tente minar a segurança da Jordânia." Maaytah afirmou: "Este país deve continuar sendo um oásis de segurança e estabilidade, e afirmamos que a Jordânia permanecerá imune a qualquer um que ouse desafiá-la."5
Líderes fora da Jordânia também se manifestaram. Ahmed al-Tayeb, grande imã da Al-Azhar no Cairo, chamou o ataque de "hediondo ataque terrorista", segundo a AP. O presidente libanês Joseph Aoun usou a mesma descrição, informou a CBS News. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres (Antonio Guterres), condenou o ataque como "especialmente hediondo" e pediu responsabilização.4,1
Ataques contra locais de culto na Jordânia são raros, informou a France 24. Os relatos sobre um ataque anterior em Karak divergem. O Daily Caller informou que, em 2016, homens armados emboscaram policiais e atingiram um castelo turístico, matando 10 pessoas, sete delas policiais, e que as forças de segurança mataram os atacantes após um impasse. A France 24 informou que o ataque de 2016 teve como alvo um centro de segurança e patrulhas policiais e também deixou 10 mortos. A France 24 observou ainda que, pela lei jordaniana, o homicídio é punível com pena de morte por enforcamento.4,5
O primeiro-ministro Hassan decretou três dias de luto nacional pelas vítimas, com bandeiras hasteadas a meio mastro em órgãos governamentais e instituições públicas. Oito das nove vítimas foram sepultadas no domingo ao lado da igreja, em um funeral que reuniu uma multidão enorme sob forte presença de segurança, mostraram imagens da AFP. A nona vítima, Mohammed al-Qasous, foi sepultada no sul de Amã na segunda-feira.5,4
As reportagens não informaram quando os três suspeitos comparecerão ao tribunal nem quais acusações poderão enfrentar. Maaytah afirmou apenas que eles serão investigados e levados aos tribunais, e que a Jordânia permanecerá, nas palavras dele, "imune a qualquer um que ouse desafiá-la".5