A corretora de criptomoedas Binance disse na quinta-feira que estava investigando um possível problema de segurança após transferências excepcionalmente grandes de suas carteiras levantarem especulações, inclusive de seu cofundador, de que a plataforma pode ter sido invadida.1,5
As transferências, observadas na tarde de quinta-feira, foram estimadas por analistas e operadores que acompanham os mercados de criptoativos entre US$ 1,7 bilhão e US$ 5,7 bilhões, com saídas de mais de US$ 5,7 bilhões das carteiras. Em resposta, as emissoras de moedas estáveis Tether e Circle congelaram fundos ligados ao incidente, medida que limitaria as perdas dos clientes caso uma invasão seja confirmada.1,5
O diretor-executivo da Tether, Paolo Ardoino, disse que a empresa congelou mais de US$ 1,567 bilhão relacionados a uma possível invasão à corretora Binance, enquanto o diretor-executivo da Circle, Jeremy Allaire, disse que sua empresa congelou mais de 800 milhões de USDC associados ao incidente. A CNBC estimou o total congelado em US$ 2,54 bilhões; o New York Post disse que as empresas congelaram mais de US$ 2 bilhões, enquanto o cofundador da Binance, Changpeng "CZ" Zhao, indicou um valor de mais de US$ 1 bilhão em criptomoedas.1,2,4,5
Zhao, que não é mais executivo da empresa, disse no X que a corretora parece ter sido invadida, embora um porta-voz da Binance tenha dito que a empresa ainda estava investigando o caso. A Binance ainda não confirmou quem poderia estar por trás do ataque nem o valor total das moedas que os supostos invasores teriam levado.5
"Nossas equipes estão cientes de relatos sobre um possível problema de segurança e estão investigando ativamente. Podem ter certeza de que os fundos dos usuários estão totalmente seguros," disse um porta-voz da Binance em comunicado. "Nossas equipes de segurança estão analisando todas as informações relevantes com urgência," disse o porta-voz, pedindo aos usuários que "mantenham cautela contra golpes." Zhao também disse que os fundos dos usuários estão seguros. A Binance limitou os saques enquanto investigava.1,5
"A Circle está acompanhando de perto os relatos de uma possível invasão envolvendo a Binance. Em coordenação com as autoridades policiais, congelamos mais de 800 milhões de USDC associados ao incidente e continuaremos apoiando a investigação," escreveu Allaire, usando a sigla da moeda United States Dollar Coin da empresa, cujo valor é atrelado ao dólar. Ele disse que a Circle estava cooperando com as autoridades policiais no caso e continuaria apoiando a investigação.1
A Binance é a maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo em volume, com centenas de milhares de usuários que compram, vendem e armazenam bilhões de dólares em moedas digitais na corretora. Diferentemente dos depósitos bancários tradicionais, o dinheiro mantido em contas de empresas como a Binance não é garantido pelo governo contra perdas, o que pode deixar eventuais reembolsos a critério de cada corretora.1,3
"Isso não tem precedentes," disse Kevin March, cofundador da JPEG Trading, empresa de negociação de criptomoedas que acompanhou de perto a invasão para monitorar as condições do mercado. O porte da Binance a torna mais protegida, disse March. "Se isso tivesse acontecido com qualquer outro negócio de cripto que não a Binance, teria sido catastrófico." Ele disse que a corretora é capaz de cobrir possíveis perdas por meio de seu seguro e de seu balanço, embora repercussões amplas nos mercados e nos preços dos criptoativos continuem possíveis.5
Se as estimativas se confirmarem, a suspeita de invasão à Binance seria o maior ataque a criptoativos da história. Em 2025, hackers ligados à Coreia do Norte (North Korea) roubaram cerca de US$ 1,5 bilhão em criptoativos da corretora Bybit. A suspeita de invasão ocorre após uma onda de ataques cibernéticos e vazamentos de dados de grande repercussão durante o chamado "Outubro Negro (Black October)," quando uma série de invasões e falhas descobertas por inteligência artificial gerou temores de uma crise global.5
Os criptoativos são um alvo relativamente comum de invasões, mas ataques de grande porte podem deixar corretoras menores vulneráveis ao colapso devido ao risco de saques em pânico. Os relatos da violação surgiram poucas horas depois de a Polymarket confirmar que estava enfrentando um ciberataque, o que levou a operadora descentralizada de mercado de previsões a pausar as negociações por uma hora após um invasor levar pelo menos US$ 2,7 milhões em fundos de usuários.5
Pesquisadores da Hudson Rock associaram o incidente da Polymarket a uma violação envolvendo a ferramenta de monitoramento de sites de terceiros DebugBear, que disse na quinta-feira que estava respondendo ao próprio incidente de segurança. A Binance ainda não confirmou quem poderia estar por trás do ataque nem o valor total das moedas que os supostos invasores teriam levado.5