Um cessar-fogo localizado, intermediado pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump, entrou em vigor na madrugada de terça-feira na cidade de Oleshky, no sul da Ucrânia (Ukraina), ocupada pela Rússia, abrindo caminho para uma missão de ajuda humanitária e a evacuação de civis.1,2,3,4
O ombudsman de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, afirmou em uma publicação em rede social que a trégua começou às 3h, no horário de Kiev (Kyiv), ou 4h no horário de Moscou (Moskva). "Um cessar-fogo entrou em vigor hoje, às 3h no horário de Kiev (4h no horário de Moscou), em áreas designadas relacionadas à missão humanitária", disse ele. O horário de início também foi informado como 0100 GMT, e a pausa tem como objetivo permitir a entrada de ajuda na cidade ainda nesta semana.2,3,4
O Ministério da Defesa russo afirmou que suas forças haviam interrompido os combates na área para se preparar para a missão humanitária. Lubinets disse que a Ucrânia estava cumprindo o acordo. "Como chefe da equipe negociadora ucraniana, confirmo que o lado ucraniano está honrando seus compromissos", afirmou, acrescentando que os acordos foram alcançados em negociações com Yana Lantratova, chefe da equipe negociadora russa.2,3,4
Não foi possível verificar de forma independente se os combates diminuíram, e a imprensa internacional tem acesso limitado a Oleshky, o que dificulta a avaliação das condições no local. A cidade tinha uma população de 24.000 pessoas antes da guerra e fica na margem oriental do rio Dnipro, em frente à cidade de Kherson, controlada pela Ucrânia.3,4
Tropas russas tomaram Oleshky nos primeiros dias da invasão de fevereiro de 2022 e a controlam desde então. A cidade sofreu novos danos quando a barragem de Kakhovka rompeu-se em junho de 2023, causando inundações generalizadas.3,4
Até 2.000 pessoas permanecem em Oleshky, segundo a Organização das Nações Unidas (United Nations), que afirmou que elas não conseguiram sair por causa de minas explosivas e ataques com drones na área. Estimativas ucranianas e dos EUA apontam número semelhante, de cerca de 2.000 pessoas, incluindo até 50 crianças.3,4
A ONU afirma que os moradores enfrentam graves escassezes de alimentos e medicamentos. A Ucrânia acusou a Rússia de impedir que os moradores deixem a cidade, acusação que Moscou nega. Ex-moradores disseram à agência de notícias AFP no início deste ano que as pessoas que permaneciam na cidade estavam passando fome, às vezes caçando pombos ou sobrevivendo com alimentos cultivados em seus quintais. "Eles esqueceram o que é pão. Para fazer pão você precisa de farinha, e nem farinha sobrou", disse Olga, que estava em contato com duas famílias que ainda estavam em Oleshky.3,4
A Casa Branca afirmou na semana passada que Melania Trump ajudou a garantir o acordo após conversas com negociadores civis da Rússia e da Ucrânia, e seu gabinete informou que ela se reuniu com funcionários da ONU que a atualizaram sobre as condições em Oleshky. O acordo foi anunciado em 23 de outubro, com o envolvimento adicional do Papa Leão XIV (Pope Leo). "Os moradores que desejarem evacuar receberão apoio coordenado e transporte até o destino de sua preferência. Espero que alguns queiram ir para a Rússia e outros para a Ucrânia", disse Melania Trump.2,3,4
Negociadores envolvidos na missão de ajuda disseram que médicos, medicamentos, suprimentos alimentares e água serão levados a Oleshky antes que os corredores de evacuação sejam abertos. Nenhum dos lados forneceu detalhes sobre quem monitorará o cessar-fogo.3,4
Ataques com mísseis russos continuaram em outras regiões da Ucrânia enquanto o cessar-fogo localizado começava. Explosões sacudiram Kiev pouco depois das 3h, horário local, segundo testemunhas, e o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou que os ataques danificaram a Ponte Sul e a infraestrutura associada do metrô. As autoridades municipais disseram que o tráfego na ponte foi suspenso. Na segunda-feira, um ataque com mísseis russos contra Kiev matou pelo menos uma pessoa e feriu outras 10, entre elas estudantes de um alojamento. Novos ataques causaram vítimas em Carcóvia (Kharkiv) e Pavlogrado (Pavlohrad). Após os ataques, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky (Zelenskyy), escreveu: "É importante que o mundo veja que a Rússia não demonstra nada além de desejo de matar e de continuar a guerra".4
A trégua antecede uma nova rodada de negociações de paz mediadas pelos EUA entre Washington, Moscou e Kiev, prevista para novembro. As negociações estão efetivamente paralisadas desde que Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra o Irã em fevereiro, e a última rodada trilateral, em Genebra (Geneva), em fevereiro de 2026, terminou sem avanços. Washington busca retomar as conversas após mais de quatro anos e meio de combates, um conflito em que centenas de milhares de soldados e civis foram mortos e milhões foram forçados a deixar suas casas.3,4
Tentativas anteriores de estabelecer cessar-fogos fracassaram repetidamente em meio à profunda desconfiança entre Rússia e Ucrânia. A pausa em Oleshky deve durar até sábado ou mais, e a missão de ajuda deve chegar à cidade ainda nesta semana.2,3,4