O Tribunal de Apelação de Victoria rejeitou na sexta-feira o recurso de Erin Patterson contra as condenações por assassinar três parentes com um almoço envenenado e determinou que ela passe o resto da vida na prisão, sem liberdade condicional.1,3,5
Um painel de três juízes rejeitou todos os sete fundamentos do recurso e concordou com a acusação de que o período mínimo de 33 anos sem liberdade condicional, imposto em setembro passado, era inadequado porque deixava aberta a possibilidade de soltura. A decisão torna Patterson, de 52 anos, apenas a segunda mulher na Austrália (Australia) a ser condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.1,3,5
Patterson foi considerada culpada no ano passado por assassinar os sogros Don e Gail Patterson e a irmã de Gail, Heather Wilkinson, e por tentar assassinar o marido de Heather, Ian Wilkinson, após servir-lhes porções individuais de bife Wellington contendo cogumelos chapéu-da-morte em sua casa rural em Leongatha, em julho de 2023. O ABC News descreveu a pena como três prisões perpétuas por assassinato e 25 anos por tentativa de assassinato, com período mínimo de 33 anos sem condicional, enquanto outras versões a descreveram como prisão perpétua com período mínimo de 33 anos sem condicional.1,3,5
"Estes crimes foram extraordinariamente frios e calculados e devem ser denunciados nos termos mais firmes," disse o juiz Stephen McLeish em nome dos três juízes. "Em todas as circunstâncias, após cuidadosa reflexão, concluímos que o caso envolveu uma criminalidade tão chocante que é inadequado fixar um período mínimo sem condicional," acrescentou.5
A acusação havia argumentado em audiência de recurso em agosto que ela nunca deveria se tornar elegível para liberdade condicional e que o período mínimo não refletia a "criminalidade calculada" do caso. O juiz do julgamento havia admitido a elegibilidade após 33 anos por causa das "condições prisionais severas" que ela provavelmente enfrentaria, e o ABC News informou que ela teria 82 anos quando pudesse ser considerada para soltura.1,5
Os advogados de Patterson haviam alegado sete fundamentos, entre eles que hospedar o júri no mesmo hotel que a acusação, uma testemunha policial central e a imprensa foi "catastrófico" e comprometeu o julgamento, que dados de torres de celular sugerindo visitas a áreas onde cogumelos chapéu-da-morte poderiam ser encontrados e publicações no Facebook com queixas sobre os sogros eram irrelevantes e prejudiciais, que provas sobre seu hábito de coletar cogumelos foram indevidamente excluídas, e que um interrogatório de cinco dias foi "injusto e opressivo" e que a versão do motivo apresentada pela acusação era inconsistente. Os juízes consideraram esses fundamentos insuficientes e os rejeitaram.1,3
McLeish disse que a intenção de Patterson de assassinar os quatro convidados se manteve por quase três semanas desde que ela os convidou para o almoço. Ele afirmou que os crimes envolveram uma "elaborada série de enganos", incluindo afirmar falsamente um diagnóstico de câncer para explicar a ausência dos dois filhos, destruir provas, negar que coletava cogumelos e fazer repetidas afirmações falsas sobre a origem dos cogumelos. Ian Wilkinson declarou que Patterson dissera aos convidados que queria o conselho deles sobre o que dizer às crianças acerca do diagnóstico. "Os crimes foram cuidadosamente planejados e deliberados. Representaram uma cruel quebra de confiança," disse ele.3,5
Ian Wilkinson, descrito como pastor local, sobreviveu após passar semanas hospitalizado e tem problemas de saúde persistentes decorrentes do envenenamento, e Patterson foi condenada pela tentativa de assassinato dele. Simon Patterson, ex-marido de Patterson, foi convidado, mas recusou na véspera; ele declarou em audiência preliminar que recusou por medo, e provas divulgadas após a condenação detalharam sua suspeita de que a esposa já havia tentado matá-lo. Patterson afirmou que a adição dos cogumelos chapéu-da-morte foi acidental e negou qualquer irregularidade.1,3,5
Por causa de sua notoriedade, Patterson está detida na Unidade Gordon de alta segurança da prisão feminina Dame Phyllis Frost Centre, em Melbourne, destinada a presas avaliadas como sob alto risco diante de outras detentas. Ao sentenciá-la em setembro de 2025, o juiz Christopher Bale disse que havia uma "chance substancial" de que ela permanecesse em "confinamento solitário por anos a fio." Patterson é apenas a segunda mulher na Austrália a ser presa perpétua sem possibilidade de condicional depois da operária de frigorífico Katherine Knight, sentenciada em Nova Gales do Sul (New South Wales) em 2001 pelo assassinato, um ano antes, de seu parceiro John Price, a quem esfaqueou ao menos 37 vezes.3,5
As mortes nos dias seguintes ao almoço atraíram o que o ABC News descreveu como um nível extraordinário de atenção da mídia mundial, e o caso inspirou programas de áudio, livros e adaptações para as telas. A atriz indicada ao Emmy Melanie Lynskey anunciou esta semana que interpretará Patterson e atuará como produtora executiva em uma série de seis episódios para o Paramount+ que dramatiza os 97 dias entre o almoço fatal e a prisão de Patterson.5
Patterson optou por não comparecer ao tribunal e acompanhou as decisões por videoconferência da prisão. Ela pode recorrer à Suprema Corte da Austrália (High Court of Australia) para anular as decisões sobre sua pena e condenações, sua última opção de recurso, e o BBC News informou que ela tem 28 dias para decidir se tentará convencer aquele tribunal a julgar o caso.1,3,5