O Departamento de Estado dos EUA (U.S. State Department) aprovou na sexta-feira a venda de 500 mísseis interceptadores avançados Patriot PAC-3 à Ucrânia por US$ 2,1 bilhões.1,3,4,5,7
O departamento informou que a compra seria paga por aliados e não envolveria recursos americanos, em um momento em que a Ucrânia afirma que seus estoques de interceptadores estão se esgotando em meio à intensificação dos ataques aéreos russos contra a infraestrutura de energia antes do inverno.1,4
Em seu comunicado, o departamento declarou: "esta venda proposta apoiará os objetivos de política externa e segurança nacional dos Estados Unidos ao melhorar a segurança de um país parceiro que é uma força de estabilidade política e econômica na Europa". Citou a Lockheed Martin como contratante principal e disse que não haveria "nenhum impacto adverso" sobre a prontidão de defesa dos EUA. A CBS descreveu o pacote como 500 sistemas de defesa antimísseis Patriot; a BBC o descreveu como 500 mísseis Patriot.1,4
O departamento afirmou: "a Ucrânia pagará por esta compra com doações do Canadá, da Alemanha e da Noruega por meio do programa JUMPSTART e com fundos nacionais, financiados pelo Empréstimo de Apoio à Ucrânia da União Europeia". Acrescentou que "nenhum recurso americano está envolvido nesta venda". A BBC disse que os mísseis seriam "totalmente financiados" por aliados na Europa (Europe) e no Canadá (Canada).1,4
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy saudou a decisão e agradeceu ao presidente Trump, mas alertou que os mísseis podem levar "vários anos" para chegar. Ele disse que a Ucrânia precisa dos mísseis Patriot "neste momento" e afirmou: "Estamos pedindo aos nossos parceiros americanos que encontrem uma solução para o período em que há um perigo real", em um apelo na sexta-feira à noite.1,4
Zelenskyy pediu aos Estados Unidos e aos aliados europeus que liberem agora sistemas Patriot de seus próprios estoques e recomponham seus arsenais com os 500 mísseis comprados pela Ucrânia nos próximos anos. Na sexta-feira à noite, ele repetiu os apelos para que os EUA acelerem a liberação de seus sistemas Patriot, que a BBC descreveu como a única arma eficaz para abater os mortais mísseis balísticos da Rússia.1,4
Zelenskyy disse que a Rússia realizou mais de 30 ataques contra a infraestrutura de energia nas últimas duas semanas, atingindo o que ele chamou de "partes críticas" da rede elétrica e "os sistemas que sustentam a vida em nossas cidades e comunidades". No sábado de manhã, ele disse que os ataques russos na noite de sexta-feira deixaram cerca de 200 mil residências na região de Dnipro e pelo menos 80 mil residências na região de Kyiv sem eletricidade, e acusou a Rússia de "atacar deliberadamente a infraestrutura civil todos os dias".1,4
Não está claro qual será o cronograma de produção. O pedido seria de novas unidades, e não de mísseis existentes, o que significa que é improvável qualquer entrega rápida à Ucrânia. A BBC disse que apenas 600 mísseis são produzidos por ano, segundo o Departamento de Defesa dos EUA (US Department of Defence), e que Kyiv precisa dos interceptadores em meio a uma escassez global ligada ao uso pelos EUA em sua guerra contra o Irã (Iran).1
Zelenskyy disse no início da semana que a Ucrânia esperou quase um mês pela aprovação americana do fornecimento de mísseis, que estava se esgotando, e a Ucrânia já havia acusado os Estados Unidos de retardar as entregas. A aprovação ocorreu após uma disputa no início de outubro, depois que os Estados Unidos aliviaram sanções contra a Rússia como parte de um acordo para garantir diesel russo, medida que gerou críticas por suspender novas sanções contra a Rússia poucos dias antes de sua esperada entrada em vigor.1,4
O presidente americano afirmou que era hora de a Ucrânia ter um novo líder para fechar um acordo que encerre a guerra com a Rússia. Em julho, Trump disse que Washington "não concordou" em autorizar a Ucrânia a produzir mísseis Patriot, três semanas depois de oferecer ao país esse direito. As tensões diminuíram depois que Zelenskyy se reuniu com enviados americanos em Oslo em 20 de outubro. Moscou (Moscow) lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, após ter tomado a Crimeia (Crimea) e partes do Donbas no leste.1
Na reunião de ministros das Relações Exteriores do G20 em Atlanta, organizada pelo secretário de Estado Marco Rubio, diplomatas europeus se recusaram a posar para a foto oficial devido à presença do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido (UK), Ed Miliband, disse a Lavrov: "Permita-me dizer isto diretamente ao ministro das Relações Exteriores da Rússia: todos sabemos quem é o agressor nesta guerra", acusando seu governo de matar civis inocentes na Ucrânia.1
Zelenskyy afirmou: "Estamos pedindo decisões que possam garantir a proteção de vidas não depois de amanhã ou em algum momento posterior, mas exatamente no momento em que a ameaça estiver presente".4