Médicos amputaram as duas pernas da parlamentar federal australiana Helen Haines, que permanece em estado crítico após ser atingida por um carro em frente ao seu escritório em Wangaratta, disse seu marido nesta quarta-feira.1,3,4,7
Haines, uma independente de 65 anos, foi atingida na segunda-feira por um SUV Toyota Land Cruiser e levada de helicóptero para um hospital em Melbourne. Seu marido, Phil Haines, disse que a perna esquerda dela foi amputada na segunda-feira e a direita na quarta-feira, depois que os médicos desistiram de tentar salvá-la.1,3
"A boa notícia em tudo isso é que Helen está viva e estável. Isso é o mais importante para a nossa família", disse Phil Haines a jornalistas em Melbourne. "Somos gratos e agradecidos porque, neste momento, tanto o coração quanto a mente dela estão em boas condições", afirmou.1,7
Testemunhas disseram que o motorista acertou Haines, prensando-a contra o próprio carro, depois deu ré e a atingiu uma segunda vez. O primeiro-ministro Anthony Albanese disse que Haines estava pegando coisas no porta-malas do carro quando o ataque aconteceu e que o motorista fez um retorno para voltar até ela. O ministro do Interior, Tony Burke, disse à Corporação Australiana de Radiodifusão (Australian Broadcasting Corp.) que o motorista deu ré e a atingiu novamente após o primeiro impacto.1,3,4
O transeunte Cody Lepoidevin disse a jornalistas que pensou estar presenciando uma fuga após atropelamento quando o SUV se afastou após o primeiro impacto. "Então deu ré e voltou em cima dela", disse ele, descrevendo o próximo movimento do motorista.3
A polícia acusou Brendan Nugent, de 43 anos, da cidade vizinha de Tarrawingee, de causar intencionalmente lesão grave, de dirigir de forma perigosa causando lesão grave e de causar dano a um funcionário federal. A polícia afirmou que as acusações decorreram de um incidente que descreveu como direcionado. O barbeiro local Ricky Jefferies saiu correndo de sua loja, revistou os bolsos do motorista e retirou uma faca, e a polícia confirmou que uma faca havia sido encontrada. "Foi uma loucura", disse Jefferies. "Muitas pessoas se envolveram imediatamente e nem sequer verificaram se havia perigo. Simplesmente correram para ajudar."1,3,4,7
Nugent compareceu ao Tribunal de Magistrados de Wangaratta (Wangaratta Magistrates' Court) nesta quarta-feira. Ele não pediu fiança nem apresentou plea, e permanecerá sob custódia até sua próxima audiência, em fevereiro. Seu advogado, Chirag Patel, disse ao magistrado que seu cliente havia apresentado possíveis problemas de saúde mental, mas nunca havia recebido diagnóstico de transtorno mental, e que tinha uma condição neurológica e uma concussão. Patel não explicou como Nugent havia sofrido a concussão. O pai de Nugent, Rod Nugent, afirmou em comunicado que Haines era amiga da família há mais de 20 anos e que cooperaria com a polícia.1,3
A polícia ainda não determinou um motivo. Investigadores de contraterrorismo se juntaram à investigação policial, e a polícia afirmou que o incidente parece ser isolado. Albanese disse: "Isso não foi um acidente. Aparentemente, houve um ato deliberado. Não sabemos qual é a motivação". Albanese se recusou a especular sobre o motivo enquanto a investigação continua.1,3,4,7
A violência política é rara na Austrália, onde os políticos são muito acessíveis e a maioria dos parlamentares não tem equipes de segurança. O parlamentar da oposição James Paterson pediu uma revisão da segurança pessoal dos parlamentares. "A realidade é que os parlamentares australianos, pelos padrões globais, são excepcionalmente acessíveis ao público, e isso é uma coisa boa", disse Paterson. Ele acrescentou que "não podemos ter uma situação em que ataques chocantes como este aconteçam, porque isso mudará fundamentalmente nossa democracia para sempre se ser membro do parlamento se tornar um sério risco para a sua vida".1,3
Albanese pediu que os parlamentares continuem dialogando abertamente com o público. "Queremos garantir que as pessoas possam se sentir o mais tranquilas possível, sabendo que tudo está sendo feito para maximizar a segurança", disse ele. A Polícia Federal da Austrália (Australian Federal Police) fornece segurança pessoal apenas a parlamentares considerados de maior risco. A comissária da Polícia Federal, Kissy Barrett, disse que fornecer proteção policial a todos os parlamentares exigiria um "volume incrível de recursos". A polícia recebeu 1.067 denúncias de comunicações ameaçadoras, de assédio, incômodas e ofensivas direcionadas a altos ocupantes de cargos públicos, incluindo parlamentares federais, no último ano fiscal, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. Os parlamentares iniciaram reuniões on-line com agências de segurança nesta quarta-feira.1
Haines foi eleita pela primeira vez para o Parlamento em 2019 e foi reeleita duas vezes desde então. Antes de entrar na política, trabalhou como enfermeira, parteira e acadêmica, e defendeu questões de saúde rural. A France 24 informou que Albanese chamou o ataque de "teste de nosso caráter". O líder da oposição, Angus Taylor, o descreveu como um "dia chocante para a nossa nação", e a senadora Pauline Hanson disse que "a violência contra qualquer representante eleito, seja quem for e qualquer que seja sua posição, nunca é aceitável na Austrália". A família agradeceu "a rápida assistência dos transeuntes", bem como aos profissionais de saúde e à polícia.3,4,7
As ameaças contra figuras políticas também aumentaram em outros países. As autoridades alertaram para o crescimento das ameaças a parlamentares nos Estados Unidos, onde houve ataques como o assalto com martelo, em 2022, contra o marido da então presidente da Câmara dos Representantes (House of Representatives), Nancy Pelosi, e na Grã-Bretanha, onde os assassinatos da deputada trabalhista Jo Cox, do Partido Trabalhista (Labour), em 2016, e do conservador David Amess, em 2021, levaram a um reforço da segurança. A chefe da Organização de Inteligência de Segurança da Austrália (Australian Security Intelligence Organisation), Mike Burgess, reiterou o alerta de que a violência motivada politicamente é uma das principais preocupações de segurança. Nugent deve voltar ao tribunal em fevereiro.1,3